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MBL protocola pedido de cassação de Bettega e vereador se diz injustiçado

Também houve proposta para abertura de CPI na Câmara sobre o caso do Instituto Municipal de Turismo

homem branco dando entrevista
Em entrevista aos jornalistas, Bettega diz que está de consciência tranquila | Foto: Tami Taketani/Plural
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Nesta segunda-feira (17) membros do Movimento Brasil Livre (MBL) protocolaram o pedido de cassação do vereador João Bettega (União Brasil), na Câmara Municipal de Curitiba. Eles também acompanharam a sessão plenária e trocaram acusações com o parlamentar, que se diz injustiçado pelos ex-colegas.

O pedido de cassação ocorreu depois da demissão coletiva de todos os membros do gabinete do parlamentar. Eles afirmam que Bettega, desde fevereiro, foi informado sobre irregularidades na contratação do ex-presidente do Instituto Municipal de Turismo, José Luiz Gonçalves Velloso, condenado por improbidade administrativa, e não levou a denúncia a público, contrariando os princípios do movimento.

“O que aconteceu foi o seguinte: eu não tinha muita confiança na minha equipe. Comecei a apurar esse fato internamente. Foi protocolado inclusive o requerimento de informação à prefeitura, pedindo informações sobre as nomeações (...). E eu não tenho problema nenhum de denunciar vagabundo. O cara foi condenado por improbidade administrativa, é vagabundo. Eu não tenho rabo preso com o PL, não tenho rabo preso com a prefeitura, eu sou um vereador independente. Então não tem essa. Isso que foi criado, foi um factoide para tentar me destruir porque o MBL me expulsou porque eu não satisfazia as vontades do grupo (...) e agora os caras querem me derrubar porque eles queriam tomar conta do meu gabinete”, explicou o parlamentar.

Os ex-integrantes da equipe de Bettega chegaram à Câmara em grupo e tentaram gravar vídeos fazendo questionamentos para o vereador. A animosidade entre eles fez com que Bettega mudasse o local onde ocorreu a entrevista com a imprensa.

O parlamentar falou ainda que está sendo injustiçado e que está sendo atacado porque é a favor de uma direita unida e que o MBL não deseja isso. “Eu estou passando por uma situação de injustiça. Eu saio de cabeça erguida e eu vou me defender de qualquer tipo de acusação”.

Cassação

O pedido protocolado pelo MBL foi recebido na Câmara e será encaminhado para a Mesa Diretora, que tem até segunda-feira (19) para analisar a admissibilidade do pedido, sem entrar no mérito – ou seja, apenas verificar se o documento cumpre os requisitos para tramitar.

Na sequência o pedido é remetido para a Corregedoria, que, por sua vez, tem 30 dias para analisar se instaura o procedimento investigativo ou não.

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O líder do MBL no Paraná e ex-chefe de gabinete de Bettega, Will Rocha, afirmou que o vereador foi omisso e que isso compromete a integridade do cargo que o parlamentar ocupa, por isso o grupo pede a cassação do mandato. De acordo com o Rocha, o vereador sabia que o ex-presidente do Instituto de Turismo era condenado desde 28 de fevereiro, mas não agiu mesmo com o pedido da equipe.

“Essa atitude configura prevaricação e quebra de decoro parlamentar, ferindo os princípios éticos que devem nortear a atuação de um representante do povo. Mais grave ainda é o motivo da omissão, a covardia diante de uma denúncia que atingia alguém do espectro político do qual o vereador simpatizava e pedia apoio”.

Outro ex-membro do staff do parlamentar, Luiz França, criticou Bettega por “bater unicamente em comunistas”. “Logicamente nós somos uma agremiação de direita, então nós entendemos que as pautas de esquerda não nos são caras, mas ele é um vereador de Curitiba. Curitiba não está nem se a Janja [esposa do presidente Lula – PT ] xingou o [Elon] Musk ou não. Isso não diz respeito à atividade dele de parlamentar. Eu garanto para vocês que a única preocupação dele era crescer em likes, engajar com pautas bobas que não têm nenhuma relação com as demandas da sociedade”.

O vereador justificou a debandada da equipe ao afirmar que o MBL queria mandar no gabinete e mencionou que não tem medo de ser cassado. “Eu não tenho medo de nada. Eu tenho minha consciência limpa, eu sei que sou um homem ético, um homem sério, que eu sempre defendi aquilo que é correto. Da minha parte há essa tranquilidade. Independente do que aconteça eu saio de cabeça erguida e tendo a consciência da minha integridade”.

Desdobramentos

Em paralelo ao pedido de cassação, a bancada da situação tenta colocar panos quentes sobre o caso do Instituto. Serginho do Posto (PSD), usou a tribuna para falar que o prefeito Eduardo Pimentel (PSD) é um “cumpridor de leis” e que exonerou Velloso assim que as irregularidades foram comprovadas.

Concomitantemente, a vereadora de oposição Giorgia Prates (PT) protocolou um pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal de Curitiba para apurar uma série de possíveis irregularidades administrativas e favorecimentos políticos no Instituto Municipal de Turismo.

Aline Reis

Aline Reis

Jornalista e especialista em Gestão da Comunicação, Assessoria e Marketing pela Universidade Positivo (UP). Mestra em Estudos de Linguagens pela UTFPR. Presidenta do Sindicato de Jornalistas Profissionais do Paraná.

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