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MP investiga possível campanha antecipada em audiência realizada por bolsonaristas na Alep

Ao defender anistia para réus e condenados, advogado Jeffrey Chiquini lançou candidatura do vice-prefeito de Curitiba ao governo em 2026

MP investiga possível campanha antecipada em audiência realizada por bolsonaristas na Alep
Chiquini (à esquerda) lançou candidaturas de Arruda e Paulo Martins em audiência transmitida pela Assembleia. Imagem: Reprodução
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O Ministério Público do Paraná (MP-PR) instaurou uma investigação preliminar para apurar a possível prática de campanha eleitoral antecipada durante audiência realizada na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) no dia 23 de maio. Durante a audiência que defendeu anistia para golpistas e depredadores, o advogado bolsonarista Jeffrey Chiquini lançou a candidatura do vice-prefeito de Curitiba, Paulo Eduardo Martins, ao governo do Paraná em 2026.

A certa altura de sua fala, Chiquini disse que Paulo Eduardo Martins será “o próximo governador do Paraná”. 

“Nós estamos diante do próximo governador do estado do Paraná. É o próximo governador do estado do Paraná. A campanha de Eduardo Martins está lançada.”
Jeffrey Chiquini, advogado, durante audiência na Alep em maio

Chiquini também declarou voto em Ricardo Arruda (para quem presta serviços de advocacia). “Esses dois são meus candidatos em 2026, para o Paraná ser o estado mais forte deste país. Eu assino embaixo”.

Vejo o trecho em que Jeffrey Chiquini pede votos:

A Lei 9.504/1997 (Lei das Eleições) proíbe que candidaturas sejam lançadas antes do período eleitoral. Pedidos de voto, de forma explícita ou implícita, também não podem ser feitos.

A Notícia de Fato do MP-PR foi instaurada neste mês e corre em sigilo na 4ª Zona Eleitoral de Curitiba. O Plural entrou em contato Jeffrey Chiquini nesta quinta-feira (18) e fica à disposição caso ele queira se manifestar.

Militância

Depois de pedir votos, Chiquini disse que a audiência foi organizada por ele e por Arruda. “Todos os amigos que aqui estão têm o meu respeito. Eu e o Ricardo Arruda montamos essa composição, porque aqui é contado a dedo”.

Isso pode indicar que audiência não teve exatamente caráter público. Audiências públicas são realizadas para que temas sejam discutidos, não para imposições. A audiência de 23 de maio parece ter sido destinada a pessoas com os mesmos posicionamentos políticos dos organizadores – ou militantes, palavra usada por eles mesmos para classificar qualquer pessoa que discorde de suas opiniões. Chiquini disse para os presentes "não deixarem" que "comunistas" falem "sem anistia" e defendam punição para os participantes da tentativa de golpe de Estado (como já foi definido pela Justiça).

A audiência também exibiu uma fala de Eduardo Bolsonaro, deputado federal que abandonou seu posto na Câmara para tramar sanções contra a economia brasileira nos Estados Unidos com o objetivo de livrar o próprio pai, o condenado Jair Bolsonaro, da cadeia.

Entre outras figuras da direita curitibana, também participou da audiência o vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo). Kilter tem 23 anos e é formado em Relações Internacionais, mas daria uma palestra sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) na Faculdade de Direito da UFPR no último dia 9. O outro palestrante seria Jeffrey Chiquini. A palestra foi cancelada.

Jeffrey Chiquini é advogado de Ricardo Arruda no processo em que o deputado bolsonarista é réu sob suspeita dos crimes de associação criminosa, desvio de dinheiro e tráfico de influência. O advogado também defende Filipe Martins, ex-assessor de Assuntos Internacionais durante o governo de Jair Bolsonaro, que é réu no núcleo 2 da trama golpista.

Em dezembro do ano passado, Filipe Martins foi condenado a dois anos e quatro meses de prisão por ter feito um gesto utilizado por supremacistas brancos durante uma sessão do Senado, em 2021. A pena foi substituída por prestação de 850 horas de serviço comunitário, pagamento de 14 parcelas mensais de R$ 1 mil para uma instituição social e danos morais coletivos de R$ 30 mil.

Filipe Martins, bolsonarista condenado por fazer gesto racista no Senado. Reprodução
José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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