Pular para o conteúdo

Policiais civis e militares entram em confronto durante protesto contra Ratinho Jr em Curitiba

Tropa de Choque da PM foi chamada para acabar com manifestação em evento com presença do governador. Uma policial ficou ferida

Policiais civis e militares entram em confronto durante protesto contra Ratinho Jr em Curitiba
Publicado:

Policiais civis e militares entraram em confronto na manhã desta segunda-feira (11), durante um protesto contra o governador Ratinho Jr na frente do Detran-PR, no bairro Tarumã, em Curitiba. Representantes do sindicato dos policiais civis, o Sinclapol, estavam em um caminhão de som no local, onde foi realizado um evento com a presença do governador. A confusão começou quando policiais militares ordenaram que o veículo fosse retirado. A tropa de choque da PM foi chamada e uma policial civil que participava da manifestação teria ficado ferida.

Os policiais civis protestam contra a proposta de reajuste de 3% enviada pelo governo do Paraná à Assembleia Legislativa. Na semana passada, a associação e o sindicato dos delegados no estado informou que a categoria não participaria ou programaria operações especiais durante um mês, como forma de protesto contra o governo. Policiais têm se manifestado em todas as aparições públicas do governador.

Segundo o presidente do Sinclapol, Kamil Salmen, a confusão na frente do Detran foi causada por policiais militares responsáveis pela segurança do governador. "Era uma manifestação legítima, mas a 'guarda pretoriana' do governador quebrou o nosso caminhão de som. A gente não vai ficar assistindo", disse Salmen. "Não estamos falando mal da Polícia Militar. São policiais que trabalham diretamente para o governador. Eles recebem um pouco mais, mas esquecem que em todas as reivindicações estávamos juntos."

Policiais militares cercaram o caminhão de som (Reprodução)

Em nota, o governo do Paraná informou que possíveis excessos serão investigados e não confirmou se foram policiais militares responsáveis pela segurança do governador Ratinho Jr que desligaram o caminhão de som ou se envolveram na confusão. Segundo a nota, o governo do estado investigará se houve excessos e tomará as medidas cabíveis.

Um vídeo publicado pela Apra (Associação de Praças do Paraná) no Youtube mostra o momento em que um homem desliga o sistema de som do veículo. Ele e outros homens, vestidos de terno, são protegidos por policiais da Tropa de Choque da PM. O homem é visto em outro vídeo, no meio da confusão. As imagens também mostram um policial militar disparando um spray de pimenta contra os manifestantes.

Policial usa spray de pimenta contra manifestante (Reprodução)

Ratinho Jr teria atribuído a confusão a uma "briga interna" do sindicato. "Estamos desde 2019 levando estudos e tentando conversar, mas o governador não nos recebe. Ele não sabe nem o que está acontecendo, não existe briga interna na Polícia Civil", rebateu Salmen. Segundo ele, o homem que desligou o som é da equipe de segurança de Ratinho Jr.

"O governador conseguiu entrar escondido. Vai ser assim daqui pra frente, onde ele for vai ter um funcionário público da Educação, da Saúde ou da Segurança com uma faixa. Ele vai ser sempre recebido assim."

Kalil Salmen, presidente do Sinclapol

De acordo com Salmen, uma policial ficou ferida. "Eles agrediram os policiais civis, que imediatamente reagiram. A policial mesmo se defendeu e ficou machucada." Salmen não soube informar se ela registrou a ocorrência. A policial aparece em um vídeo mostrando escoriações nos braços. Ratinho esteve no Detran para participar da inauguração do Detranzinho, uma minicidade educativa.

Policial mostrou marcas nos braços (Reprodução)
Homem que teria desligado o carro de som, segundo a Apra (Reprodução)

A Associação de Praças do Estado do Paraná (Apra) divulgou nota em que pede a apuração dos fatos. A entidade ressaltou que as manifestações são livres e que é " vedado ao Estado e suas forças de segurança violar ou ameaçar o exercício da cidadania classista, incorrendo em abusos e ilegalidades, devendo tais condutas serem apuradas mediante processos e procedimentos".

Nota do governo do Paraná

O governo do estado lamenta o protesto que tentou tumultuar uma inauguração restrita a convidados e imprensa no Detran nesta segunda-feira (11). Todos os eventos fechados com autoridades seguem um protocolo de segurança e controle, o que é comum a qualquer estado ou nação. O governo do estado entende que todas as manifestações são legítimas, mas não podem impedir atividades rotineiras de outros órgãos públicos ou interromper o trânsito de uma avenida importante da cidade. O Estado vai apurar se houve excessos e tomará as medida cabíveis.

Nota da Polícia Civil

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) informa que os fatos estão sendo apurados rigorosamente pela Corregedoria da PCPR, que já está analisando imagens. Sendo comprovada transgressão funcional, eventuais envolvidos serão punidos com rigor, de acordo com a legislação vigente.

Nota da Apra

A APRA – Associação de Praças do Estado do Paraná, pessoa jurídica regida por normas de direito privado, não considerada militar, reconhecida como de utilidade pública - Lei 17.218/12, vem através da presente nota, manifestar-se sobre os fatos ocorridos nesta data (11/04/22), no lançamento do “Detranzinho”, envolvendo manifestantes da polícia civil e policiais militares. Antes de adentrar ao mérito da questão, a APRA gostaria de enfatizar que o direito de livre manifestação está descrito na Constituição Federal de 1988, em seu art. 5º, inciso XVI “- todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente;”. Desta forma, temos um direito fundamental assegurado a todos exercer seu direito de manifestação, nos vetores descritos no texto constitucional. Portanto, sendo vedado ao Estado e suas forças de segurança violar ou ameaçar o exercício da cidadania classista, incorrendo em abusos e ilegalidades, devendo tais condutas serem apuradas mediante processos e procedimentos. Cientes que, os militares estaduais que estavam aplicados no evento estavam cumprindo ordens legais, sendo extremamente necessário individualizar condutas e apurar responsabilidades. Ainda, a APRA lamenta profundamente o fato (confronto) acontecido entre as forças de segurança, que apenas buscam melhores condições de trabalho e remuneração, abrangendo principalmente o efetivo pertencente a base das Corporações, esquecidas pelo Governo, tendo como principal e único motivo, a desvalorização dos policiais do Estado do Paraná.

APRA – PR.

Presidência

Orélio Fontana Neto

Diretor Sul Anaspra

Associação Nacional de Praças

Mais em Vizinhança Curitiba

Ver todos

Mais de Jose Marcos Lopes

Ver todos

De nossos parceiros