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Projeto do Novo determina que Prefeitura exponha faltas de professores da rede municipal

Vereador Guilherme Kilter usou aprovação em primeiro turno para lacrar nas redes, mas pediu adiamento da segunda votação

Projeto do Novo determina que Prefeitura exponha faltas de professores da rede municipal
O vereador Guilherme Kilter: lacração e recuo no mesmo dia. Foto: Rodrigo Fonseca/CMC
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A Câmara Municipal de Curitiba aprovou na última terça-feira (26), em primeira discussão, o projeto de lei que institui a Política de Transparência das Escolas Públicas e prevê que a Prefeitura publique informações sobre a assiduidade de professoras e professoras. Aprovado com 25 votos favoráveis e sete abstenções, o projeto foi retirado da pauta no dia seguinte, a pedido de um dos autores, o vereador Guilherme Kilter (Novo).

Kilter pediu a retirada da pauta por seis sessões, pois o texto e as críticas à política de transparência da Prefeitura teriam desagradado a alguns integrantes da base de apoio ao prefeito Eduardo Pimentel (PSD). Antes de pedir o adiamento (segundo ele para “discutir as emendas e construir um projeto melhor”), no entanto, o vereador do Novo usou a aprovação em primeiro turno para criticar a oposição em suas redes sociais e dizer que havia vencido o “choro do PT”. 

Apresentado originalmente pelo ex-vereador Denian Couto (Podemos), o projeto foi ressuscitado pelos três vereadores do Novo na Câmara: Kilter, Indiara Barbosa e Rodrigo Marcial. O texto determina que a Prefeitura publique em seu site dados pedagógicos e de recursos humanos, que incluem turmas atendidas, índice de assiduidade dos professores e nomes de diretores e vices, entre outros. Dados de gestão, como informações sobre obras e destinação de repasses, também são exigidos.

A bancada de oposição a Pimentel não votou contra o projeto, mas criticou a possível exposição de professores. “Nas comunidades as pessoas não têm acesso à informação, nem quando perguntam nas regionais ou nas escolas. Queremos que a Prefeitura cumpra com a lei da transparências, mas não venham aqui, através de um projeto de lei, querer o apoio da oposição para criminalizar professores que estão com atestado de afastamento”, criticou Vanda de Assis (PT).

Giorgia Prates (PT) sugeriu uma ampliação da lei. “Hoje faltam pelo menos 2 mil professores nada rede, talvez tenhamos a possibilidade de ter esse campo”, afirmou. “Isso obriga as escolas a improvisarem, suprimindo horas-atividade e colocando docentes para cobrir buracos, causando adoecimento. Tem a falta de servidores administrativos, bibliotecas e laboratórios ficam fechados. E tem o problema da infraestrutura, escolas com infiltrações, telhados que caem com a chuva, falta de salas adequadas e turmas superlotadas. Temos que colocar no portal da transparência o que não está tão transparente”. 

Para Camilla Gonda (PSB), o Partido Novo ajudou a revelar os problemas de transparência da Prefeitura. “O nosso inimigo na verdade não são os professores, mas quem não investe na educação de qualidade, quem não observa esses dados. O Novo vem expor isso, a própria base do prefeito subiu nessa tribuna e disse que não existe transparência em Curitiba", afirmou a vereadora. "A gente espera não os dados que criminalizam quem está na ponta, que dificultam o trabalho de quem constroi a educação públicas, mas os dados da falha, da falta de tutores e de professores, da falta de apoio e comprometimento do Poder Executivo em colocar o orçamento da educação como prioridade”.

A oposição ainda questionou a divulgação de dados sobre faltas de docentes sem expor as causas. Na rede estadual de ensino, por exemplo, a Secretaria de Estado da Educação (Seed) do Paraná concedeu 10.426 licenças médicas para tratamento de transtornos mentais no ano passado, cerca de 25% do total de 41,5 mil licenças para tratamento de saúde no ano passado. Além disso, com a aprovação da lei, os professores seriam os únicos servidores que teriam as faltas expostas – algo que não acontece com médicos ou servidores administrativos, por exemplo.

Lacração e recuo

Ao apresentar o projeto na sessão de terça-feira, Guilherme Kilter expôs o portal de transparência da Prefeitura e disse que o site "não tem acessibilidade nenhuma", o que gestou desconforto entre a base de apoio a Pimentel. Indiara Barbosa e Rodrigo Marcial também criticam a transparência do site oficial.

No fim da sessão, ao justificar seu voto, o vereador do Novo criticou a indecisão do PT em relação ao tema. "Criticaram um monte de coisa. Deve ser uma bagunça ser eleitor desse povo do PT", afirmou.

Na quarta-feira, ele publicou em suas redes sociais que o texto havia sido aprovado "mesmo com choro do PT". Na sessão do mesmo dia, pediu o adiamento da votação. "Para que a gente possa discutir as emendas protocoladas e construir um projeto melhor", afirmou. Esse trecho não foi compartilhado com as cerca de 927 mil pessoas que o seguem no Instagram.

Guilherme Kilter no Instagram: críticas ao site da Prefeitura (Reprodução)

O que o projeto quer tornar público

I - dados pedagógicos e de recursos humanos:

a) turmas atendidas, faixa etária aproximada e número de alunos matriculados;

b) índices de assiduidade discente;

c) número de aulas efetivamente ministradas e de aulas originalmente previstas;

d) endereço, horário de funcionamento, telefone e e-mail da respectiva unidade;

e) nomes dos diretores e vice-diretores, com informação sobre o período do respectivo mandato;

f) quadro de servidores, indicando o total por cargo, número de afastamentos (com detalhamento dos motivos agrupados) e as medidas de substituição adotadas;

g) índices de assiduidade dos professores, incluindo a efetividade das substituições e o impacto sobre as aulas;

h) resultados das avaliações de desempenho da direção escolar, com base em parâmetros e critérios definidos em regulamentação própria;

i) principais indicadores educacionais de desempenho e fluxo escolar, conforme regulamento do Poder Executivo.

II - dados de gestão e serviços de apoio:

a) valores e destinação dos repasses recebidos pela unidade escolar, especificando a origem dos recursos (municipais, estaduais, federais ou outros órgãos públicos);

b) informações sobre fornecedores e processos de aquisição ou contratação de bens e serviços;

c) dados sobre os serviços de nutrição escolar, transporte, segurança e limpeza, incluindo identificação das empresas terceirizadas contratadas;

d) andamento e gestão de obras de manutenção, reforma ou ampliação da unidade escolar, com detalhamento de prazos e orçamentos.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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