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Governo nega risco de desastre em barragens do PR

Auditoria do TCE constatou falhas na fiscalização das estruturas, com risco de desastres. Oito gestores são multados

Por Admin
Governo nega risco de desastre em barragens do PR
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O Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) multou oito agentes públicos ligados ao governo estadual pela falta de fiscalização em barragens. A alegação é de que os gestores não faziam vistorias em quantidade nem periodicidade suficientes para garantir a segurança das estruturas, que apresentavam risco de desastre em 2019.

Um ano depois, questionado sobre a situação das barragens no Estado, o Instituto Água e Terra (IAT), vinculado à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável e do Turismo, garantem que não há risco eminente registrado em nenhuma das estruturas no Paraná. Em nota enviada ao Plural, o IAT afirma que não negligencia suas responsabilidades e segue cumprindo com sua obrigação de monitorar e fiscalizar todas as unidades.

No entanto, pelas irregularidades encontradas em 2019, em auditoria realizada pelo TCE, foram multados o atual diretor-presidente do Instituto Água e Terra, Everton Luiz da Costa Souza; os ex-gestores do Instituto das Águas do Paraná (entidade incorporada pelo IAT em 2019) Iram de Rezende e Amin José Hannouche; e os ex-secretários estaduais do Meio Ambiente, Lindsley da Silva Rasca Rodrigues, Gerson Paulo Schiavinato, Antônio Carlos Bonetti, Ricardo José Soavinski e Antônio Caetano de Paula Júnior. A multa para cada um é de R$ 8,4 mil.

O Instituto assegura que as partes envolvidas irão recorrer da decisão. O órgão considera pertinente a preocupação do TCE mas reforça que o Estado está trabalhando para sanar os problemas herdados de administrações anteriores.

Irregularidades

Os conselheiros do TCE aprovaram um Relatório de Auditoria, que avaliou a quantidade de segurança nas barragens paranaenses. No documento de 185 páginas, foi constatado que elas apresentam "risco latente e potencial de desastres".

Entre os problemas: grave déficit institucional; carência orçamentária e de pessoal; ausência de gestão, planejamento e execução das suas atribuições; omissão no cumprimento das competências e da legislação; e grave omissão na fiscalização.

Entre 12 de abril e 10 de junho de 2019, foram vistoriadas 11 barragens de acumulação de recursos hídricos e 10 órgãos públicos. Neles, registraram-se 61 inconformidades, além de 71 irregularidades na entidade fiscalizadora.

Uma delas foi a tentativa, via proposta de contrato de gestão de R$ 2,4 milhões, de terceirizar suas funções típicas para o Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar) que, por sua vez, delegaria as tarefas para empresas privadas. Diante do auditado, o TCE encomendou ao Sedest e ao IAT a adoção de 30 providências sobre o assunto.

As recomendações do Tribunal deveriam começar com a realização de um plano emergencial para sanar as carências apontadas no relatório. Outros pedidos foram: a realocação de servidores da autarquia para efetivar a fiscalização das barragens; o aprimoramento da análise dos dados recebidos pelos entes fiscalizados, para que os procedimentos sejam feitos de forma proativa; e o aperfeiçoamento do planejamento e execução das fiscalizações nas barragens.

Novos fiscais

Em resposta, o governo recorda que o Instituto Ambiental do Paraná - hoje incorporado ao IAT - tinha um quadro de fiscais deficitários, com três ou quatro funcionários trabalhando nas barragens. O número atual é de 40 servidores, com responsabilidade de fiscalizar e monitorar todas as estruturas, dentro da jurisdição estadual. 

A Secretaria e o Instituto sustentam que estão trabalhando para ampliar a fiscalização e monitoramento em todas as unidades. No entanto, informam que com a pandemia foi preciso adiar o concurso que previa contratar mais 150 funcionários. Com a aprovação da lei que permite processo de contratação simplificada (PSS), estima-se que 230 funcionários integrarão os quadros do IAT até o final de 2021. Eles serão contratados pelo período de um ano, prorrogável por igual prazo.

De acordo com o governo, os esforços estão sendo reconhecidos pela Agência Nacional de Águas. Um levantamento remoto do IAT mostra que o Paraná tem hoje 2,7 mil barragens. Três delas são de mineração, e de responsabilidade da União.

A nota ressalta ainda que esse dimensionamento realizado pelo TCE em 2019 permite equacionar problemas existentes, com planejamento e adoção de medidas de monitoramento e fiscalização.

Tags: Paraná

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