Pular para o conteúdo

“Um amor, mil casamentos” exige que você baixe bastante as expectativas

Comédia romântica em cartaz na Netflix é prova de que algumas coisas na vida são cíclicas

Por Admin
“Um amor, mil casamentos” exige que você baixe bastante as expectativas
Publicado:

Na vida, algumas coisas são cíclicas: ahistória, as pandemias e, aparentemente, as comédias românticas sobre casamentocom um inglês apaixonado por uma americana.

“Um amor, mil casamentos”, estreia recente daNetflix com título em português inexplicável, parece uma reedição de “Quatrocasamentos e um funeral” (neste, pelo menos os números conferem), o filme de1994 que fez de Hugh Grant um galã improvável.

Um quarto de século depois de Grant seinteressar por Andie MacDowell, um roteirista de nome Dean Craig, maisconhecido pela comédia “Morte no funeral” (2007), resolveu estrear na direçãocom o roteiro próprio de uma história simpática: no casamento da irmã, Jack(Sam Claflin) reencontra a jornalista americana Dina (Olivia Munn), pela qualtinha se apaixonado três anos antes. Uma paixão que na época ele guardou parasi porque, além de ser extremamente britânico, ele também é tímido.

Durante o casamento (que é um só, apesar doque diz o título), alguns poucos dramas se desenham, o maior deles é a presençade um sujeito esquisito que não foi convidado, com problemas sérios dedependência química, disposto a declarar seu amor pela noiva e arruinar acerimônia. Ele estudou com ela na adolescência e acredita que os dois foramfeitos um para o outro, apesar das negativas lançadas por Hayley (EleanorTomlinson), a noiva em questão, que se diz apaixonada mesmo por Roberto, onoivo italiano.

Hayley pede a ajuda do irmão para dopar ointruso com um poderoso sonífero. Jack vira o remédio na taça disposta no lugarda mesa com o nome do sujeito esquisito: Marc (Jack Farthing). Apesar de nãoter sido convidado, ele acabou sendo incluído de última hora na “mesa dos convidadosingleses”, enquanto resto do salão é italiano, da parte do noivo.

Antes da recepção começar, um grupo decrianças surge do nada no salão e bagunça a disposição dos convidados, trocandode lugar os cartões com os nomes de cada um. Quem acaba tomando o sonífero é outrapessoa que não Marc, o sujeito esquisito. Como acontece em filmes desse tipo,as confusões vão se acumulando ao longo de uma hora e pouco para depois seremresolvidas nos 15 minutos finais. Com a pequena diferença que, aqui, anarrativa brinca com outros cenários possíveis, voltando ao momento em que ascrianças mexeram nos cartões para fazer outras pessoas tomarem o sonífero. Sefosse melhor executada, talvez essa ideia rendesse um filme diferente. Aconteceque o caminho percorrido por “Um amor, mil casamentos” até o fim previsível nãoé divertido. E chega a ser um pouco irritante.

Talvez porque Sam Claflin, o protagonista, nãotenha tanto carisma quanto, por exemplo, Hugh Grant – e mesmo Grant está longede ser o exemplo em que você pensa quando pensa em figuras carismáticas decomédias românticas. Na comparação, porém, Grant ganha de Claflin.

A maior diferença está no roteiro. DeanCraig perde feio para Richard Curtis, o homem que mais ou menos reinventou acomédia romântica inglesa. Além de “Quatro casamentos e um funeral”, Curtis escreveu“Simplesmente amor” (2003), “Questão de tempo” (2013) e, mais recentemente,“Yesterday” (2019).

Se você baixar as expectativas, mas baixarbastante, talvez consiga se divertir com “Um amor, mil casamentos”. E, por “serdivertir”, quero dizer pensar em qualquer coisa que não envolva o noticiárioatual.

Serviço

“Um amor, mil casamentos” está em cartaz naNetflix.

Tags: Paraná

Mais em Paraná

Ver todos

Mais de Admin

Ver todos

De nossos parceiros