Após mais uma rodada de encontros entre a Copel e sindicatos, os funcionários da empresa já falam em entrar em greve. A categoria demonstra insatisfação com a proposta apresentada pelos negociadores terceirizados após a Companhia ter sido privatizada no governo Ratinho Junior (PSD). Mesmo com lucro líquido de R$ 2,2 bilhões nos nove primeiros meses de 2024 (+8,5% a mais do que o ano passado), a empresa oferece apenas a reposição da inflação, reduz drasticamente o abono dos funcionários e ainda quer banco de horas compulsório.
A proposta anterior da empresa já havia sido negada por mais de 90% da base e deve ser encaminhada para uma nova negativa. Ela está muito abaixo do que os copelianos apresentaram como reivindicação. A categoria pede reposição da inflação mais 3% de ganho real, 1 remuneração a mais referente a outubro mais R$ 5 mil a título de abono e manutenção da regra de horas extras.
Em contrapartida, a Copel apresentou proposta “sem aumento real de salários, havendo apenas o reajuste do INPC, adesão compulsória ao banco de horas e abono salarial de R$ 1000,00 (mil reais) para quem receber salário de até R$ 6 mil, o que atinge cerca de 50% do quadro funcional”.
A diferença tem causado indignação dos funcionários da empresa em grupos de mensagens. Os funcionários, além de rechaçar o acordo, falam em indicativo de greve e até em dissídio coletivo. Para essas vozes, a “nova Copel” só mudará a negociação quando o preço das ações caírem na Bolsa de Valores. Os copelianos também criticam o atual modelo de negociação. O negociador não é mais funcionário da Copel, sendo terceirizado apenas para essa função.
As cláusulas apresentadas neste ano estão muito aquém dos acordos fechados em anos anteriores. Em 2022, o valor equivalente a 20% (vinte por cento) da remuneração básica e individual do empregado de outubro de 2022 acrescido de R$ 3,5 mil. Em 2023, foram 10% da remuneração básica acrescidos de R$ 2,5 mil. Já em 2020, o abono chegou a R$ 4,85 mil.
Por outro lado, a proposta de apenas reposição da inflação não condiz com o tamanho da empresa e o cenário econômico do Brasil. De acordo com o “Boletim De olho nas negociações”, do DIEESE, 89,2% dos acordo resultaram em ganhos acima da variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor no mês de outubro.
“O resultado das negociações coletivas também reflete a discreta melhora da condição de vida dos trabalhadores, graças à inflação baixa, a algum crescimento e ao aumento do emprego e da renda”, diz o DIEESE.
Proposta é uma opção mercadológica
Embora privatizada, o CEO da Copel, Daniel Pimentel, foi mantido no cargo. A empresa ainda tem como grandes acionistas únicos o governo do Paraná (15,9%) e o BNDESPAR (22%). Por outro lado, joga o jogo da Bolsa de Valores, que detém 61,9% das ações. Em meio a negociação, a empresa comemora a “redução em despesas com pessoal após a saída de 1.393 empregados e o Crescimento de 176% no Lucro Líquido Consolidado”. Resultados que, segundo o governo, fizeram com que Copele fosse listada no “ranking da InfoMoney de empresas que mais crescem no Brasil”.
“Nos últimos anos ganhamos muito em eficiência operacional, e este processo está ainda mais acelerado. Como uma corporação de capital disperso, a Copel agilizou seus processos para investir com assertividade, atender o cliente com qualidade e garantir resultados consistentes que terão reflexo também a longo prazo”, disse o CEO Daniel Pimentel..
No próximo dia 26 de novembro, no Copel Day, a empresa vai tratar da transformação Organizacional da companhia, Eficiência, Investimento e Inovação, Comercialização e Gestão Operacional e Revisão Tarifária e Regulação.